Lembro-me de um conselho de
Francisco Silveira Bueno, antigo catedrático de filologia portuguesa da
Universidade de São Paulo que, num livro sobre dificuldades da língua,
aconselhava os consulentes a lerem uma página de Antônio Vieira, por dia, a fim
de amadurecerem no mister da reflexão filosófica. Vieira, além de grande
pensador, sensibiliza os leitores, com a beleza de suas construções, para o uso
estético da língua. Seus argumentos são fascinantes.
Numa outra estância da vida li,
com um sentimento de crescente admiração, a autobiografia do Mahatma Gandhi.
Foi uma experiência inesquecível. Através dos seus exemplos pude refletir,
entre outras coisas, sobre a urgência de as pessoas se esforçarem para
estabelecer coerência entre o que se entende por "bem" e os
impulsos, instintivos ou não, que as levam a ação. No descompasso entre essas
duas posições viceja grande parte dos conflitos humanos.
Ao ser incentivado por amigos para abrir o "blog", pensei nesses dois Grandes Mestres e avaliei o quanto ainda estou longe deles mas, mesmo assim, decidi me abrigar a sombra de suas influências benfazejas.


